O texto perfeito

Faz tempo que estou na busca daquela “cereja” que anda faltando em cima dos meus textos. Parece que todas as coisas já foram escritas, parece que oque resta é  inventar. Mas a tal””realidade”” ( e foi intencional colocar aspas duas vezes) anda me segurando com unhas e dentes. Nem nas mentiras eu ando inventando mais, alias, conforme agente cresce, parece que usa sempre as mesmas mentiras,só que aperfeiçoadas.
Voltando ao texto perfeito, ele está , provavelmente, vindo a pé da Africa. Tomara que no caminho ele tenha tirado muitas fotos, pois o Rubiano (aquele sujeito que é responsável pela “Casa de Lápis”, vulgo “este blog”) sempre fala que faltam fotos nos meus textos. Eu já acho que a verdade é que tem letras demais. A cada ano que passa eles estão mais curtos, grandeza esta diretamente proporcional a minha falta de paciência.

(Quero dizer que estou começando a achar esse assunto muito chato, acho que você deve querer ler algo mais interessante…vamos falar de outra coisa então…)

Vamos falar de relacionamentos, assunto que todo mundo gosta de ler. Mas vamos falar dos meus, que sempre são engraçados de tão ruins. Ah, mas tem outra coisa mais legal para falar: do relacionamento de uma mulher que falava ao celular no trem, enquanto eu voltava para casa, num domingo. (ah, bem mais interessante!) Então a historia da mulher que vai ser o assunto agora! Todo mundo adora saber da vida dos outros.
A jovem que ja beirava seus 40 anos,falava ao telefone com um sujeito, que pelo que entendi, era ex namorado dela. Estava toda trajada á moda “sou jovem,uso as roupas das minhas filhas de 15 anos”. Mas isso nem importa tanto, oque importa é que Jesus Cristo estava atrasando o lado do sujeito. Isso porque, segundo a moça, eles precisavam parar de se encontrar. Embora ela estivesse indo visita-lo para debater a palavra de Deus, poderiam correr o risco de cair em tentação DE NOVO. Eis que o sujeito, tentando deixar nosso Papai do Céu fora dessa, justificava que não tinha nada a ver, que ele ia só ouvir a palavra (eu realmente estava interessada na conversa, a ponto de ficar bem perto p ouvir ele falando, quase que sentei no colo da moça para poder ouvir melhor). Mas não tinha negociação com a sujeita, que do nada dizia que não ia levar o namorado dela para dentro da igreja, porque ele ainda não tinha aceitado Jesus. Então espere: a sujeita estava dando a palavra para um e queria dar a palavra para o ex namorado também? A sujeita queria mais era sair evangelizando geral. Eis que entra em pauta a namorada no sujeito. Agora temos: a tia evangelizadora e o namorado “pecaminoso” dela, o sujeito do telefone e a namorada dele. Deixem Jesus fora dessa, por favor.
Enquanto ouvia a conversa da jovem ao telefone, comecei a perceber que um sujeito estranho me olhava todo galã. Tinha lá seus quase dois metros de altura, já apresentava graves sinais de calvice na parte de cima da cabeça e um longo cabelo que surgia das laterais. Me lembrou um Bozo de escova progressiva. O “Bozo” era gótico  Estava me assustando com a coleira de espetos que usava no pescoço, com a jaqueta de couro com forro de estampa de onça, bem justinha e aberta até o meio do peito. Completava a calça preta com abertura nas laterais por ilhós e cordão (igual do seu tênis só que na lateral toda da calça). E um cavanhaque que passava fácil do queixo. Parecia uma coisa louca. Eu sempre atraio gente estranha para perto de mim. Me assustei mais ainda quando ele veio sentar do meu lado. Ficava me olhando como se eu fosse aquele bolinho de carne do quiosque de lanches do terminal de ônibus em Itaquera. E eu lá, pedindo a ajuda de Deus naquele momento, mas ele não me ouviu, porque estava tentando sair da briga extra-conjugal que a tia do telefone tinha colocado ele no meio.
Logo menos chegamos á estação terminal, graças ao maquinista. Deus ainda estava lá tentando cair fora da novela das oito que a tia estava fazendo ao telefone. Foi tentador tomar o telefone da mão dela e jogar pela janela. Alias, se eu fosse uns 90cm maior , uns 40kg mais forte e tivesse 70% mais de testosterona no sangue, ia ser oque chamam de fanfarão e o celular da tia ja teria ido pro outro mundo. Ia até usar aqueles chapeuzinhos coloridos com hélice de helicóptero em cima.  Se fosse, quebraria celulares de funkeiros todos os dias. Imagina só, que maravilha! Não ia conseguir me limpar sozinha, mas ia tocar o terror na zona leste .
Tá ai! Meu texto perfeito seria o grandalhão com chapéu de hélice. Engraçado, forte, grande, que chamasse bastante atenção e impusesse respeito. O grandalhão poderia ser formado em alguma graduação acadêmica, para ter conteúdo também. Ai ele poderia usar,então, óculos tipo “fundo de garrafa”, para ilustrar o quanto ele era inteligente – e cego também, eu imagino.
Em fato, é isso que vem faltando nos textos …os meus , pelo menos: mais criatividade, mais descontração.

Jéssica Félix

Em busca da graduação em conhecimentos aleatórios, sigo lendo, passeando, namorando, ouvindo, perguntando, rindo..enfim, abusando da sorte.