O Ladrão de Canetas – Um pedido recusável (capítulo excepcional)

Foi criado um capítulo para ser inserido logo após o capítulo 1 no ebook do Ladrão de Canetas que demonstra o primeiro “mico” que Érico pagou durante as aulas no colégio.

Capítulo especial – Um pedido recusável

A professora Marta Angel, apelidada pelos alunos de “Rabo-de-cavalo” adentrou a sala naquela primeira aula de segunda-feira. Parecia estar numa forte ressaca, talvez por uma noite regada a bebidas para compensar uma vida sem valor ou talvez uma noite de brigas com o marido. Independente do motivo era evidente seu mau-humor, parecia detestar seu trabalho de docente naquela escola. Os alunos sempre a ouviam falar mal do diretor da escola ao celular enquanto simultaneamente fumava pelos corredores do colégio.

Com os olhos inchados, uma apostila, cadernos e sua caderneta apoiadas no colo adentrou a sala empurrando um dos alunos, que derrubou acidentalmente pó de giz em seu jaleco amarelado.

Marta Angel parecia arrogante, mas não tinha um ego inflado ou necessidade de atenção ou de autoridade, simplesmente sentava na cadeira de professor, passava alguma atividade leve e ignorava os “moribundos”, como sempre se referia a seus alunos.

Especialmente naquele dia havia trazido um apagador, ao invés de pedir emprestado na sala ao lado. Enquanto os alunos todos bagunçavam pela sala, arremessando bolinhas de papel mastigadas, bananas, laranjas e outros objetos e frutas, a professora solicitou que Érico — então distraído, escrevendo cartinhas de amor — que apagasse a lousa para ela, para assim, poder iniciar alguma explicação na lousa ou passar algum texto.

Érico relutou por um instante, mas, obedeceu, após dobrar cuidadosamente seus bilhetes e depositá-los em seu bolso. Começou a apagar a lousa, da esquerda para a direita, em movimentos circulares enquanto alguns objetos voavam para perto de si. Érico concentrou-se numa região da lousa e começou a apagar lentamente.

A lousa estava completamente suja e cheia de escritos, pichações eróticas, apologia às drogas, nomes de bandas de rock e grupos de rap.

Dentro de toda aquela sujeira, Érico limpou parte da lousa em formato de coração, e nela escreveu os dizeres com letras de forma: “EVANGELINA, MINHA PEIXINHA, QUER NAMORAR COMIGO?”.

Um alvoroço começou a surgiu e Érico ficou olhando para Evangelina que ainda não havia percebido os dizeres, pois se encontrava distraída com fones de ouvido ao som de algum artista pop do momento.

Os alunos começaram a perceber em massa, o riso era geral, Érico se prostrou perante a mesa de Evangelina, a primeira da quarta fileira a partir da janela e tirou do bolso, junto com seus bilhetinhos um origami de uma rosa e entregou a sua amada. Os alunos rolavam de rir e atiravam bolinhas de papel e comida em Érico, que firme como numa prova de resistência, permanecia imóvel esperando a resposta e ela logo veio: um tapa na cara bem forte que ecoou em meio ao silêncio que a turma naquele exato instante fez.

Érico caiu ao chão e mesmo acordado, permaneceu imóvel com a boca no chão enquanto os risos ecoavam como uma sinfonia descompassada.

Evangelina sorriu maleficamente, levantou-se e começou a gargalhar, moveu-se para perto de Érico e rasgou seu origami enquanto os resíduos de folha de caderno caíam no rosto do garoto apaixonado. Naquele momento até a professora, fria como uma nórdica, ficou boquiaberta.