Poesia

Rosa, minha rosa

Renato Reis, 16 de maio de 2012

 

Não digas que é loucura ver-te, ainda,
com os olhos da alma – e enamorado.
Nem que contemplar-te assim é errado.
Porque em meus olhos continuas linda!

Dirás: “Toda beleza um dia finda.”
A tua inda está na flor da idade.
E, em meus olhos, sempre estará. Verdade,
Pergunte a eles – és a mais bem-vinda!

Não deixes que os longos anos da vida,
Te façam crer que perdeste a beleza.
E leves sempre contigo a certeza:
A rosa mais bela é a amadurecida.

(Arcanjo de Oliveira)

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OS LÁBIOS DO VENENO

Rommel Werneck, 11 de maio de 2012

 Füssli, Johann Heinrich Romeo am Totenbett der Julia (1809)

“O churl! drunk all, and left no friendly drop to help me after?
I willkiss thy lips.
Haply some poison yet doth hang on them to make me die with a restorative. [Kisses him.]”

The Tragedy of  Romeo and Juliet. Shakespeare. Act V. Scene III

 

Jazia embalsamado o bom Romeu
Guardando nos seus lábios um veneno
Que no sabor fortíssimo e sereno
Foi-lhe tirado o mundo que era seu.

 

A dama Capuleto, em amor pleno,
Despertando, uma morte percebeu.
Entonces, ao punhal vil recorreu
Eternizando a dor no sangue ameno.

 

Mas, antes, contemplou bem Capuleto
O seu virgem mancebo lá deitado
Sobre o tão tenebroso e gris sepulcro.

 

Àquele resplandente rapaz pulcro,
Tomou dos lábios lúgubres do amado
O beijo como lânguido amuleto!

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Senhora

Renato Reis, 2 de maio de 2012

 

Não quero que me veja neste estado.
Senhora,
A partida me partira em dois.
Vá embora!
Ao menos permita-me esconder-te,
por agora,
o antes,
do depois.

(Arcanjo de Oliveira)

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Não fossem os detalhes da vida

Renato Reis, 25 de abril de 2012

 

Linda senhora, dos olhos lindos.
Perdoe-me pela incapacidade,
que, impiedosa, o meu peito invade,
de fazer por sua companhia merecer.

Eu, que como tratar-te ainda estudo aprender,
faço que falo, mas só finjo que faço.
Procuro nas pausas um certo espaço.
Mas perco a partida e perco o compasso.

Perdoe-me, senhora, mas perdoe entendendo,
que se não faço jus à honra da companhia,
é em meu peito que mais a dor se faz ardendo.

Não fosse a solidão que ainda me atrai,
não fosse a mania do medo do que chega e sai,
Garanto, senhora, que seu de mim eu faria.

(Tenório Dantas)

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PLUMBUM

Rommel Werneck, 18 de abril de 2012

 

Bala de chumbo matou minha namorada
Remorso plúmbeo eu sinto (ela estava na minha frente e nada fiz pra salvá-la)
Mas sem problemas, eu vou tomar um chumbinho pra aliviar.

 

Rommel Werneck

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Marília, ou como me deixei voltando a ti

Renato Reis, 17 de abril de 2012

 

Coração incoerente este meu,
que no caminho do começo ao fim
dura achar um meio;
mas quando no meio enfim,
retorna sem freio -
recomeçando assim,
por de onde ele veio.

(Tomás Bragança)

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COMO O PRIMEIRO

Rommel Werneck, 8 de abril de 2012

“Come Prima (Dalida chante)”

Como o primeiro namorado
Ela me beija e leva rosas
E eu beijo as suas mãos cheirosas
Que tanto tenho venerado!

Como o primeiro ela me trata
E escreve versos de marfim
Em que promete amor sem fim
Numa sublime serenata…

Como o primeiro que foi dela
Assim me sinto possuído…
E quando a beijo, peço que ela

Cumpra os seus planos por inteiro
De me tomar como marido.
Como o primeiro… seu primeiro!

Rommel  Werneck
Publicado originalmente no Recanto das Letras
Acesse minha escrivaninha
NOTAS:
1- O poema foi inspirado na música Come Prima (Como Antes) cantada pela cantora egípcia Dalida.  Eu escrevo majoritariamente ao som de música. Escute AQUI.

2- Nunca tinha escrito nessa métrica, acho difícil métricas abaixo de 9 sílabas.
3- O Ivan Eugênio da Cunha fez um belíssimo soneto no mesmo metro. Leia AQUI.



4- Usei temática amorosa, mas como sempre sofremos críticas vanguardistas “o amor é ultrapassado”, eis aqui um soneto em que o homem se sente o primeioro de uma mulher propondo uma inversão de papéis, é plenamente possível escrever de outras formas. Estudo de possibilidades, experimentação, é disso que a poesia contemporânea necessita.
5- Fonte da imagem

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Daniela

Renato Reis, 4 de abril de 2012

 

Ante a paixão que pintara como se o mundo fosse tela,
Disse-lhe: “Chama que se apaga como sopro numa vela!”

- Adianta o viver quando em alma é aprisionado numa cela?
Disse-lhe a chama que se apaga como sopro numa vela.

“- Não prazerá quando fores alvo do martelo que martela,
Imprudente chama que se apaga antes mesmo d’uma vela.”

- Nada é capaz de fazer-me importar com fofoca de janela.
Imprudente a chama que se apaga antes mesmo d’uma vela.

E vendo que de nada adiantava investidas contra ela,
Levantou sopro contra a chama que em tempos fora vela:

“- Eu não viverei por ditos tais que a boca descongela!”

Loucas chamas que apagadas nunca mais seriam vela.
Mas antes de tudo o que acabara fora a paixão de Daniela.

(Tenório Dantas)

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NUNCA MAIS DESPERTAR!

Rommel Werneck, 31 de março de 2012

Rommel Werneck declamando no Sarau Caldo e Poesia

Os sonetos que declamei no belíssimo sarau da Vila Ema

NUNCA MAIS DESPERTAR!

Oh! Volta, volta, meu sublime sonho!
Quero me embalsamar aqui dormindo
Contemplando meu anjo puro e lindo
No momento mais lânguido e risonho!

Este êxtase perfeito, um gosto infindo…
Perdê-lo? Não, eu não quero, eu me oponho!
Eu bem sei que o momento mais medonho
É levantar ao Sol sobressaindo.

Eu descobri que a vida quer me ver,
Mostrar sua verdade só de dor
E a angélica criança me esconder…

Eu prefiro os meus sonhos ao luar!
E se for p’ra deixar o doce amor,
Então, não mais, nunca mais despertar!

STELLA MATUTINA

As estrelas são figuras do passado
Que adormecem pálidas pela manhã
E despertam lúgubres de cintilado
Predizendo em plenas trevas o amanhã.

E trajando um manto de nuvens eternas
Elas, santas, sacras, sábias da verdade,
Adornadas sempre por jóias supernas
Resplandecem mesmo na vil tempestade.

Mas ressurge estrela que as outras ofusca
Derrotando a chuva, derrotando a vida…
Nela cada estrela a luz suprema busca

Cada ser procura consolo, esperança…
E a beleza dela é tão grande e perdida
Que a mim seu sublime raio nunca alcança.

PÁLIDO PECADO

Oh! Pálido Pecado da gris Morte,
Numa misteriosa e bela dança!
O jogo dos olhares… Esperança!
O movimento quente, lindo e forte…

Oh! Pálido Pecado que em mim lança
Fascínio, sedução… Oh falsa sorte
Que me deixa sem luz, céu, vida e norte!
Maldita e imaculada! Triste dança!

Oh! Pálido Pecado… Juventude…
Dança, dança, divina grã-beleza!
Dança, dança, lasciva grã-pureza!

Dança sem fim, desejo atormentado…
Virtude escura… Pálido Pecado…
Oh! Pálido Pecado de virtude!

  ROMMEL WERNECK

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Verão

Renato Reis, 29 de março de 2012

 

Apareceu-me assim, clara
Fez-me a alma toda sorrir.
E com sutileza rara,
Acordou-me do porvir.
Fez-me feio o que era lindo
Fez bonito o que não era.
Fez do outono primavera,
Do inverno, verão infindo.

Apareceu-me assim, clara
Fez-me a alma toda sorrir.
Em beleza, cativara.
E não quer de mim sair.
A flor desta tua imagem,
Cravou-se fundo em meu peito.
Agora, e sempre, em meu leito
Terei formosa miragem.

Apareceu-me assim, clara
Fez-me a alma toda sorrir…
E agora? Por que inventara
De fazer-me amor sentir?
Oh! Por que, formosa e clara?
Por que procedes assim?
Sendo o amor a rosa rara,
Por que colhera ela em mim?

Com o amor que me enviara,
Fez-me forte prosseguir.
A esperança renovara,
Fez-me a alma toda sorrir.

Apareceu-me assim, clara
Tornou-se logo meu verão.
E com sutileza rara,
Invadiu-me o coração.

(Arcanjo de Oliveira)

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Enganos?

Renato Reis, 21 de março de 2012

 

Quem é você, que sempre, ao anoitecer
invade meu quarto, envolve meu corpo
e num súbito instante, faz-se de morto,
para logo saltar, fugir, desaparecer?

Você, que a mim impossível é conter
a ansiedade. E os dias passo torto,
contando o tempo, de tudo absorto.
Já não consigo mais a mim só viver.

Embora eu não saiba o seu nome,
a você, há algo que eu gostaria de dizer
Saiba que o que me faz ainda existir
é esta certeza de que quando a noite cair

Eu vou te procurar, seu quarto invadir
Seu corpo envolver, sua alma partir.
Meu coração partir.
Para logo saltar, fugir e desaparecer.

(Tomás Bragança)

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Consciência do coração

Renato Reis, 14 de março de 2012

 

[CONSCIÊNCIA]
- Depressa! Não percas tempo.
Que o vento logo passa.
Deixes logo de ser caça.
Cries logo teu momento.

[CORAÇÃO]
- Quieta! Sintas o vento.
Ainda agora ele se nota.
Calma que inda há tempo.
E tão logo não se esgota.

[CONSCIÊNCIA]
- Tolo! Saibas do tormento
que assombra alma e desgraça,
transforma sonho em fumaça,
dos que correm muito lento.

[CORAÇÃO]
- Não te oprimas: sou atento.
Meu relógio acerto tem:
não atrasa. Sou isento
de perder hora, também.

[CONSCIÊNCIA]
- Pois bem: avisado estás.
No momento em que te vires
só, perdido e sem ação,
Lembra-te, ao menos, de sentires
a consciência do teu coração.

(Tenório Dantas)

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TERZA RIMA I

Rommel Werneck, 10 de março de 2012

FONTE: http://www.sjtresidencia.com.br/

Em teu corpo, enfim, falecer, terminar,
Perder minhas forças, entregar a vida,
Deixar de ser, decair, me matar…

Escravo fiel, uma sombra vencida
Na guerra por teus braços gladiadores
E em teu abandono como suicida

Apanhar de ti, gritar, gozar nas dores
Em êxtases rubros, sádico prazer
Isso é mais sublime que o amor dos amores
Não é amor, é docemente morrer!

ROMMEL   WERNECK

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Adeus

Renato Reis, 6 de março de 2012

 

Na primeira vez em que te vi,
fui atraído por teus olhos – que brilhavam;
que riam tanto quanto choravam.
Traziam o mundo dentro de si.

Na segunda vez, senti.
Teus olhos, perdidos, ainda me olhavam
e no sobe e desce, ambos reviravam -
não tinhas mais nem tu em ti.

Mas enfim, como tudo um dia finda,
findaram nossos sonhos que, ainda,
juravam não ter fim.

Agora vejo teus olhos partindo,
mas continuo sorrindo,
por ainda guardar teus olhos em mim.

(Arcanjo de Oliveira)

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SEM NINGUÉM

Rommel Werneck, 1 de março de 2012

 

                                                             ghazal

A teus pés eu me sinto sem ninguém
Porque tuas mãos trazem-me desdém

Contemplando teus olhos eu me vejo
Perdido na amplidão do teu além

Belos braços tens, quanta força e fogo
Somente p’ra matares mais alguém

Uma boca, perfeita pedraria
Que fez um novo e pobre ser refém

Em teu peito não há nem coração
Dorme apenas a morte e mais ninguém

Rommel  Werneck

Forma fixa de Hafiz

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Daqui de onde estou

Renato Reis, 29 de fevereiro de 2012

 

Vê-la daqui não é fácil, senhor.
É tão linda, eu sei… mas impiedosa!
Olha-me de assim mesmo: graciosa.
Sem paixão por deste lado supor.

E me desfaço em desejo e louvor.
Brilha-me como pedra preciosa,
e encanta-me com a alma virtuosa…
Vê-la daqui não é fácil, senhor.

Também não é fácil seguí-la assim,
e saber que eu observo sozinho,
enquanto solitário a padecer,

O amor seguir seu natural caminho.
Não é fácil, meu senhor. E, no fim,
Não vê-la?… melhor seria morrer!

(Tenório Dantas)

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NO FIM DA NOITE

Rommel Werneck, 24 de fevereiro de 2012

 

 

Fonte da imagem

NO FIM DA NOITE

                                                 Good night!

No fim da noite, escorre a maquiagem,
O perfume desliza e perde o brilho,
O príncipe revela-se selvagem,
E à casa volta o pródigo e bom filho.

O meu castelo volta a ser miragem,
Transforma-se a madrinha em maltrapilho,
Desaparece a minha carruagem
E resta escura a estrada que bem trilho.

No fim da noite, a Lua desfalece…
A vida vai perdendo a florescência…
A morte vai virando mulher bela…

E parte tão veloz a Cinderela,
Embalsamada em tanta consciência,
Que nem mesmo os sapatos ela esquece!

Rommel  Werneck

www.poesiaretro.blogspot.com
A Poesia de Sempre para Sempre

 

 

 

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Meu!

Renato Reis, 22 de fevereiro de 2012

 

Não retirem isso de forma alguma,
Deixem o bater do meu coração!
O que eu sinto é meu, mesmo quando em suma
Só reflita o descaso e a ingratidão!

Saiam de perto, que é minha esta pluma!
De tão minha é quem dá-me a direção
E o sentido da vida, quando a bruma
Vem bater-me a face na contramão!

Me deixem! que com meu interior
me basto. Que a invejável lembrança
do que não vivi, é como a esperança

Que prenuncia um belo amanhecer.
E me faz crer que mesmo estando o amor
morto, já foi-me amável o colher.

(Tomás Bragança)

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Advinha quem vi

Eduardo Rubião Ribeiro, 22 de setembro de 2010

Advinha quem vi,
nas asfaltadas ruas
de um bairro não tão nobre.De um gingado sutil,
de pele reluzente,
que ofusca-me o sentido. CONTINUE lendo…

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