Minha infância (Maica Peta)

I: Primeiro dia de aula

Acordei bem cedo naquele dia, foi foda, me lembro bem, minha mãe não pegava leve comigo, e justo no meu aniversário de 16 anos, precisei levantar cedo para ir a escola com a velha me acordando com uma bucha molhada na cara. Xinguei até o diabo!

De qualquer modo, agradeço minha mãe e meu pai por não me darem moleza. No ano anterior, na minha sala estava repleto de viadinhos mimados, meu pai, sempre me disse: “honre-se, moleque, sinta o peso de suas bolas enquanto caminha, não seja um deles”.

De qualquer modo, o primeiro dia de aula é sempre um saco, um monte de bichas na salas, gente escrota, patricinhas, mas, era bom rever os amigos e aloprar um pouco.

Sentamos no fundão, como sempre, eu, Vargão e Capiroto. Bom, desse meu grupo, apenas eu sobrevivi, Vargão levou um tiro na cabeça, ficou retardado e morreu em menos de um ano num manicômio e Capiroto morreu queimado, por uma dívida de droga. Otários.

A professora era nova, de geografia, muito gostosa, uma bundinha de estralar e um par de melões de alta qualidade que pareciam pular para fora de suas roupas enquanto andava. Aquele ano eu saberia tudo sobre o relevo da África meridional. Seu nome era Patrícia.

Professora Patrícia entrou na sala cortando o silêncio feito pelas vadias invejosas que adorariam ser gostosas como ela e pelos manos que adorariam se perder numa cópula carnal enquanto estudavam a economia do Zimbabwe. Até eu, um cavalo reprodutor de alta linhagem, fiquei sem palavras.

Sou conhecido como Maica Peta, naquela época fui guitarrista de uma banda fracassada, também fui líder estudantil, vagabundo e jogador de futebol de salão. Pegava todo mundo, até sua irmã. E vou lhe contar como na época da escola era o cara mais foda da cidade.

Maica Peta

Delinqüente, tatuado, e foda. Meu nome é Maica Peta e eu vou te quebrar.
https://twitter.com/maicapeta