Harry Potter e o pó mágico do mundo dos trouxas

Harry Potter e o pó mágico do mundo dos trouxas
Harry Potter e o pó mágico do mundo dos trouxas

Havia se passado dois anos desde a morte de Lord Voldemort. Harry Potter, Hermione Granger e Rony Weasley não tinham muito o que fazer no mundo dos bruxos. Algumas leis estranhas começaram a vigorar no mundo da magia depois das trocas no ministério da magia e na diretoria da escola de magia e bruxaria de Hogwarts.

As varinhas foram proibidas com o estatuto da desvarinização que visava diminuir a violência causada por pessoas portando varinhas e o estatuto das vassouras, que determinava velocidade máxima de 40 km/h no céu público do mundo dos bruxos. Uma série de radares mágicos foi instalado nos céus para monitorar a velocidade das vassouras.

Uma enorme estátua de Harry Potter foi feita em bronze na entrada de Hogwarts, mas, ninguém se lembrava mais da história. Com o pouco uso de magia em função das proibições e a necessidade de glória, Harry Potter começou a buscar a magia no mundo dos trouxas, e através de seu primo Dudley descobriu um pó “mágico” chamado cocaína.

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Ancapistão, o território livre

Ancapistão

Era uma pacata manhã, num lugar úmido, inúmeras pessoas com trajes peculiares iam de suas casas à padaria em tanques de guerra enquanto seus filhos comiam maçãs e brincavam de atirar em latas no quintal com seus fuzis de precisão. Uma manhã absolutamente normal no lugar conhecido como Território Livre do Ancapistão.

De acordo com os costumes locais, geralmente o primeiro presente de um adolescente em idade púbere ao completar doze anos, independente do sexo, era receber um rifle de sua escolha, azul ou rosa, das inúmeras lojas de armas existentes no local.

Sua população era muito diversa, família e aglomerados diversos de pessoas conviviam pacificamente numa cidade de arquitetura peculiar, contendo casas em formato de domo, mansões de arquitetura gótica e pequenas residências minimalistas. Todos conviviam num ambiente livre e próspero.

Havia inúmeras moedas em circulação, a moeda mais conhecida era o bitcoin, livre de qualquer controle estatal e qualquer centralização, mas, também havia em circulação o dólar americano, o litecoin e o pau, uma moeda local que satirizava o real brasileiro. Não havia ali banco central e a região inteira tinha autonomia administrativa. Viviam numa gigantesca clareira na densa floresta amazônica autoproclamado “Ancapistão”.

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Chaves Cafetão

Como seria o cortiço se Chaves fosse um cafetão?

Seu Madruga lia calmamente seu jornal no sofá esburacado de sua casa quando foi surpreendido por Chiquinha correndo em passos largos.

— Papai, papai. Me dá um dinheiro pra comprar um pirulito lá na venda da esquina?

— NÃO! Não vê que estou lendo? E não tenho dinheiro. Já estou devendo catorze meses de aluguel para o Senhor Barriga. — Respondeu.

— Ah, papai. Então vou me prostituir. — Respondeu.

Seu Madruga, boquiaberto apenas observou as palavras e engoliu em seco. — Chiquinha… O… que… você… disse…? — Perguntou.

— Nada, papai. Que vou desobstruir. — Vou desobstruir seu caminho para o senhor ficar mais confortável. — Disse com as mãos na cabeça disfarçando.

Ao sair, Chiquinha rumou até o barril e deu leves chutes para chamar o Chaves.

— Chaves, Chaves.

— Diga, Chiquinha. Não vê que estou dormindo no meu barril?

— Dormindo, Chavinho? Estamos à tarde, não é hora de dormir. — Gritou Chiquinha.

— Sai daqui, sardenta. Me deixa em paz.

— Preciso falar com você, Chaves. Quer ser meu cafetão?

— Café e pão? Quero, quero… Estou com fome e zás… Quero comer e zás… — Disse Chaves feliz pulando do barril excitado.

— Não é isso, Chavinho, você só não é mais burro por falta de vitaminas. Eu preciso fazer dinheiro e você poderia me anunciar na rua, procurar cliente pra mim.

— Procurar cliente? — Respondeu Chaves.

— Isso, Chaves. Meu pai não quer me dar dinheiro para comprar pirulito.

— Ah, Chiquinha, você quer me foder. Toda vez que entro na sua eu tomo na bagagem. Não quero. — Respondeu Chaves enquanto saía de perto da Chiquinha e ia brincar com uma tesoura de jardinagem.

Chiquinha o abordava novamente: — Chaves, seu filho da puta, seja meu cafetão, seu merda? — Gritou pelas costas do pobre menino do oito.

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O casamento do Professor Girafales com Dona Florinda

O casamento do Professor Girafales com Dona Florinda foi um evento que mobilizou todo o cortiço.

Naquela tarde de verão Quico, ansioso, brincava sozinho no pátio com seu triciclo sabendo de um evento que o tornaria um menino ainda mais feliz. Prestes a completar dez anos de idade, ainda sem receber a bola quadrada, entraria na igreja para o casamento de sua mãe com o professor Girafales, vulgo Professor Lingüiça.

Uma bolada rapidamente voou do outro pátio e o acertou na cabeça, derrubando-o. Um chute certeiro de Chaves.

— Foi sem querer querendo. — Disse Chaves enquanto vinha pelo corredor próximo da casa de Dona Clotilde.

— Chaves, seu filho da puta. Você sempre me acerta. Vou contar pra minha mãe. — Gritou Quico, em fúria. — Só não te bato porque hoje minha mãe vai casar. — Continuou.

— Com o professor Lingüiça? — Perguntou Chaves enquanto o Professor aparecia pelas suas costas. — Já estava na hora do “quilômetro parado” ter coragem de pedir sua mãe em casamento, né? — Completou.

— Chaves, não fale isso do Professor, agora ele será meu papi. — Rebateu Quico, sabendo da presença do professor.

— Como é que é, Chaves? Quem é Quilômetro Parado? — Berrou o professor.

— Desculpa, professor, não sabia que o senhor iria se casar com a Velha Carcomida.

— Tá! Tá! Tá! Tááá! Quem é Velha Carcomida? — Berrou o professor, jogando o buquê de flores que trazia ao chão. — Chaves, a próxima vez que chamar a Dona Florinda de Velha Carcomida vou dar um tiro na sua cabeça com a carabina do Seu Madruga.

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O Ladrão de Canetas

O Ladrão de Canetas

O Ladrão de Canetas

Se você tem amigos de verdade, as dificuldades da vida já não pesam tanto. (Jufras Menhal)

Capítulo 1 – Prólogo
Capítulo 2 – Um pedido recusável
Capítulo 3 – Cartas para o seu amor
Capítulo 4 – Um professor desistente
Capítulo 5 – Um reserva muito louco
Capítulo 6 – Um crime descoberto
Capítulo 7 – Fazendo amigos na detenção
Capítulo 8 – Um ato heróico
Capítulo 9 – FEBEM
Capítulo 10 – A rotina atrás das grades
Capítulo 11 – O plano de fuga
Capítulo 12 – A explosão
Capítulo 13 – A fuga
Capítulo 14 – Novos rumos
Capítulo 15 – Reflexões de um Zé Ruela
Capítulo 16 – Nasce um monstro
Capítulo 17 – O dilema de Chatália
Capítulo 18 – O segredo de Chatália

Capítulo 1 – Prólogo

Érico Caguette de Oliveira corria com todas as suas forças. Estava sendo perseguido por um grupo de jovens de sua escola. Seu fôlego acabara. Caíra ao chão como um pato manco. Acabou espancado, com chutes nos testículos e na cabeça num beco a duas quadras de sua casa.

— Nunca mais olhe pra minha vadia, Retardado! — Retardado era o apelido de Érico, um garoto excêntrico, aluno do primeiro ano do ensino médio, um moleque com aparência esquizofrênica, óculos fundo de garrafa, alto e muito magro, um típico fracassado da escola.

Érico era o único aluno do professor mais estranho do colégio, Rubens Gil, que lecionava violino. A dedicação de Érico era questionável, e mesmo tendo toda a atenção da aula voltada para si, ele era um tremendo fracasso como violinista, tendo uma vez causando grande constrangimento durante uma das apresentações num evento escolar. Fato que lhe causou um enorme trauma quando lhe atiraram fezes dos animais da escola no rosto.

Érico também tinha o apelido de “Merdinha”, o mais freqüentemente usado por seus colegas de sala, também por sua cor meio marrom e pelo seu rosto meio estranho.

Suas notas eram bastante ruins, não por ser ignorante, mas, por ser extremamente desinteressado. Merdinha não valorizava a si, aprendeu a valorizar o coletivo, a ser escravo do meio, prova disso era seu amor por Evangelina, sua peixinha.

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O ladrão de canetas – Parte X

A inveja vê sempre tudo com lentes de aumento que transformam pequenas coisas em grandiosas, anões em gigantes, indícios em certezas. (Miguel de Cervantes)

Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento. (Machado de Assis)

Capítulo 17 – A vida e os imbrólios de Chatália

Chatália nasceu na periferia da cidade, no bairro de Jardim Brocólia, filha de um abestado caiçara com uma bóia fria ex-guerrilheira fanática dos anos 80. Seus pais não a quiseram no momento e a tentaram abortar várias vezes. Já tinham como filha Evangelina, a mais velha e até então, única filha, nascida no litoral.

A garota tinha quatro anos mas já persuadia a mãe a abortar, queria ser filha única.

— Aborta mamãe. Seu corpo, suas regras. — dizia a pequena.

Chatália nasceu aparentemente normal, no entanto seria mal tratada nos primeiros anos de vida, quando sua irmã tentou lhe cortar o pescoço com linha de cerol. Os conflitos entre as duas eram intensos. Chatália foi enviada a morar com a avó, Dona Choréia que tinha dotes amistosos e serenos. A vida com a avó, a sete km de casa teve uma influência absolutamente impactante na vida da pequena rapariga.

Chatália foi bem educada, logo na pré-puberdade fazia cursos de inglês, espanhol, francês, informática, além do ensino médio num caro colégio no Jardim das Palmeiras. Tinha um gosto especial pela filosofia sendo fã incondicional de Maquiável, Nietzsche e Bertrand Russel. Participava das discussões filosóficas nos centros acadêmicos como revelação proeminente na área de humanas. Freqüentava a universidade como convidada logo aos doze anos.

Passou a ter amizade com grupos rebeldes como os Pink Blocks, um grupo que se vestia de rosa para depredar patrimônio público e privado e dos comunistas do UUU (União Única Universal), além da Ação Redentora, uma ala social jovem da igreja. Chatália passou a ser mentora intelectual desses grupos.

Descrita como uma garota altamente manipuladora, era além de venerada por seus seguidores, detestada pela maioria das pessoas que freqüentava a universidade, a escola e a igreja. Quando notava perder o controle e a liderança usava táticas controversas para angariar apoio como o uso de decotes generosos e danças sensuais nas festas de fraternidade e nas confraternizações da UUU.

Notando que sua personalidade causava fascínio fundou uma seita que se reunia na extinta sala de vídeo do colégio em que estudava que servia como depósito de livros velhos. A seita tinha inicialmente sete membros, porém, com o aumento da popularidade dela seus membros começaram a crescer exponencialmente, tendo em seu auge 37 integrantes.

Seu grupo, conhecido como “A Base”, se concentrava em táticas de dissimulação, mentiras e interpretação. Chatália defendia que, “para fazer o bem, é necessário praticar o mal por uma justa causa justificando o fim, que seria o bem”, como descrito no parágrafo número um do “Manifesto baseado”.

Juntos, “A Base” derrubou quatro professores e um diretor, reformou as finanças da escola e influenciou a queda do reitor da universidade. O grupo perdeu influencia quando Chatália, ameaçada de ser morta e expulsa, mudou-se para o colégio Eunuco Eutanásio onde encontrou Érico e sua própria irmã, a qual ignorava.

Sabendo de seu comportamento marginal, não restou a ela apreciar outra face dos acontecimentos, outra máscara do protagonismo: a discrição, o anonimato. Chatália deixaria de ser o centro das atenções para se tornar uma discreta observadora influenciando os acontecimentos apenas quando lhe convir. A prudência havia sido o que aprendera com os disformes acontecidos daqueles anos passados quando quase levou um prego no olho por destruir uma família no seio da comunidade onde morava.

O episódio que lhe abrira os olhos foi quando ao terminar um relacionamento secreto com um pastor de uma igreja ao sul da cidade, que mantinha por internet, resolveu viajar ao sul das longínquas terras do norte onde um primo, professor Falumba era conhecido como Rasga-xana, mesmo sendo casado. A fama varava por todas as cidades circunvizinhas e Chatália resolveu provar o sabor do pecado. Falumba, apesar da fama, tentava ser discreto, mas, Chatália o expôs de vez, apenas para provar a si mesmo e a todos que poderia fazê-lo e para aproveitar se alimentando da desgraça alheia.

Viajou 27 horas apenas para fazer frente entre às demais garotas urbanas e resolveu passar uma tarde no sítio do tal primo. Passaram o dia conhecendo-se profundamente enquanto as roupas ficavam na margem do lago, cada peça em uma parte. Debaixo de uma macieira o amendoim foi colocado no buraco do amendoim, coisa que a mulher do professor nunca havia permitido.  Ela percebeu quando uma menina se espantou com a cena e colocou a mão na boca e saindo correndo para contar a todos que chegaram surpreendendo a toupeira cavocando o terreno. Entre elas, a esposa. Uma lágrima caiu, Chatália sorriu.

A cidade tinha costumes conservadores e Chatália foi detida por populares, com um olhar diabólico seguiu escoltada até um celeiro bem grande de propriedade de um influente empresário da região naquela esquecida comunidade rural. Chatália foi açoitada com inúmeras chibatadas enquanto dava pequenos gemidos ao sentir suas costas rasgando e mantendo um olhar diabólico parcialmente escondido pelo suor que escorria de seu rosto. Ela gostava.

Tá chovendo maconha

Dilastácia foi relançado no Clube de Autores sob o título “Tá chovendo maconha”, em breve também na Amazon e no Google Play.

Faça o download aqui: http://www.clubedeautores.com.br/book/169321–Ta_chovendo_maconha#.U8Zq3UA4T_o

A versão impressa sai por R$ 16,91, apenas custos de impressão.

Tá chovendo maconha

A história é a mesma, porém com uma nova roupagem. Próximo lançamento para Kindle e Google Play será da história de “O Ladrão de Canetas. Nessa história o nome dos personagens serão trocados e o título da história também, você pode acompanhar o desenvolvimento da história aqui mesmo no blog, por aqui.

O Ladrão de Canetas – Parte VIII

Capítulo 14 – Reflexões enquanto pessoa e o pavio da sobriedade

Érico, cabisbaixo, atentou contra a serenidade outrora demonstrada a Chatália e abandonou-a ao chão gélido e úmido rumando para fora do galpão lentamente guiando-se pela luz de alguns buracos na parte superior do galpão, enquanto a sonolenta dormia como uma defunta no sono dos justos. Érico precisava de ar, precisa de luz, precisava pensar.

Nao poderia ser verdade que sua amada estaria copulando com um afro-descendente de família zulu oriunda da Guiné-Bissau. Era inconcebível, só poderia estar fazendo para provocar, pensou.

Nem mesmo sabia se o rapaz era mesmo zulu, mas, a sensação de traição o fazia pensar milhares de coisas. E por que Chatália havia contado? Queria feri-lo? Sua cabeça era apenas indagações.

Resolveu caminhar pelas ruas próximas ao galpão quando notou um pequeno guri de aparentes quatro anos tentando vender-lhe um baseado.

— Moço, compra essa porra? É pra ajudar minha família.

Érico surpreendeu-se.

— Moleque, o segredo do comércio é fazer o comprador sentir vantagem no negócio. Que está comprando, nunca que você está vendendo…

— Mas tio, minha mãe é puta, meu pai, traficante.

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O Ladrão de Canetas – Parte VII

Nove meses depois O Ladrão de Canetas está de volta contando a saga de Érico e Chatália. Você pode conferir toda a história clicando no link à direita, “O Ladrão de Canetas” e acompanhar as demais partes.

Capítulo 13 – Novos rumos

Já estava amanhecendo, o sexteto desnorteado, já cansado havia deixado a empolgação de lado e avistaram um pequeno galpão de uma antiga empresa de tintas chamada “Dizoni Tintas”.

O galpão situava-se numa rua estreita, de pedras quadradas e algumas deslocadas, com várias casas também abandonadas. Ligeirinho pulou o portão e o abriu por dentro, todos entraram pelo portão desmoronando e Cátila, como último a entrar colocou o portão no lugar. Colocaram as bicicletas encostadas numa parede, completamente escura pelos efeitos do tempo.

Chatália puxou Dailane pela mão, e sentou no canto de um estreito corredor que dava passagem para a entrada oeste do prédio, que continha uma porta de ferro completamente oxidada.

Érico se preparava para derrubar a porta quando foram todos surpreendidos por uma garota, magra, com um tapa-olho, usando uma touca verde e com duas corujas equilibradas em seu ombro.

— O que querem, vândalos imundos? — Gritou a garota.

— Opa. Calma. Nós não sabíamos que tinha alguém no prédio. Só precisamos de um espaço. — Respondeu Érico. — Pessoal, vamos para outro lugar. — Continuou.

— Esperem, vermes. O que fazem por aqui? — Perguntou a garota.

— Fugimos da FEBEM com a ajuda dessas duas. — Disse Cátila.

— Seu burro, cala a boca. — Gritou Chatália.

— Ah, que interessante… Nesse caso, podem ficar por uns minutos, depois podem desaparecer. Eu gosto de vagabundos. — Completou. — Deixa eu lhes apresentar minhas amigas corujas, Concurvilda e Julinalva. São minhas preciosas. — Finalizou.

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Minha infância (Maica Peta)

I: Primeiro dia de aula

Acordei bem cedo naquele dia, foi foda, me lembro bem, minha mãe não pegava leve comigo, e justo no meu aniversário de 16 anos, precisei levantar cedo para ir a escola com a velha me acordando com uma bucha molhada na cara. Xinguei até o diabo!

De qualquer modo, agradeço minha mãe e meu pai por não me darem moleza. No ano anterior, na minha sala estava repleto de viadinhos mimados, meu pai, sempre me disse: “honre-se, moleque, sinta o peso de suas bolas enquanto caminha, não seja um deles”.

De qualquer modo, o primeiro dia de aula é sempre um saco, um monte de bichas na salas, gente escrota, patricinhas, mas, era bom rever os amigos e aloprar um pouco.

Sentamos no fundão, como sempre, eu, Vargão e Capiroto. Bom, desse meu grupo, apenas eu sobrevivi, Vargão levou um tiro na cabeça, ficou retardado e morreu em menos de um ano num manicômio e Capiroto morreu queimado, por uma dívida de droga. Otários.

A professora era nova, de geografia, muito gostosa, uma bundinha de estralar e um par de melões de alta qualidade que pareciam pular para fora de suas roupas enquanto andava. Aquele ano eu saberia tudo sobre o relevo da África meridional. Seu nome era Patrícia.

Professora Patrícia entrou na sala cortando o silêncio feito pelas vadias invejosas que adorariam ser gostosas como ela e pelos manos que adorariam se perder numa cópula carnal enquanto estudavam a economia do Zimbabwe. Até eu, um cavalo reprodutor de alta linhagem, fiquei sem palavras.

Sou conhecido como Maica Peta, naquela época fui guitarrista de uma banda fracassada, também fui líder estudantil, vagabundo e jogador de futebol de salão. Pegava todo mundo, até sua irmã. E vou lhe contar como na época da escola era o cara mais foda da cidade.

O Ladrão de Canetas – Parte VI

Nos episódios anteriores vimos o planejamento de Érico, Cátila, Romualdo e Ligeirinho para fugir da FEBEM e sua relação com Chatália piorar a cada dia. Nestes capítulos veremos uma determinada explosão que poderá ou não dar a liberdade para os nossos amigos e os colocar em liberdade.

Boa leitura.

Capítulo 11 – A explosão

— Eu estava gostando dessa merda, não antes de eu vomitar e cagar nas minhas próprias calças e sujar minhas meias. Você é o pior cozinheiro do mundo, seu animal! — Gritava o guarda Carlos enquanto atirava Érico ao chão, levou-o ao banheiro desativado na presença de seus amigos.

— O que estão fazendo aqui, seus merdas? Sumam! — Gritava e esperneava o guarda enquanto arrastava Érico pela camiseta.

— Eu falei que ia fazer você comer sua própria merda, mas, mudei de idéia, você vai é comer a minha.

Naquele instante, Érico já podia sentir o gosto da humilhação quando o guarda Carlos foi interrompido por um barulho à porta, era o diretor da prisão.

— Dr. Rubião Pereira Peixoto, a que devo a honra? — Disse, enquanto prostrava de joelhos o guarda.

— O que está fazendo? Tentando fazer este detento comer a merda, Carlos? — Indagou o poderoso.

— Sr. Diretor, o senhor não sabe o que este moleque fez… — Disse o guarda, sem mencionar os detalhes.

— Carlos, quero que me acompanhe, parece que sumiu um frasco de nitroglicerina que eu guardei no depósito na semana passada. Preciso da sua ajuda. — Completou o diretor.

O guarda engoliu em seco, será que o diretor descobriria? Naquele instante largou Érico e o deixou junto aos outros e seguiu o poderoso diretor, que de longe, com sua vestimenta e postura impecáveis poderia fazer até com que os animais o respeitassem.Continue reading →

O Ladrão de Canetas – Um pedido recusável (capítulo excepcional)

Foi criado um capítulo para ser inserido logo após o capítulo 1 no ebook do Ladrão de Canetas que demonstra o primeiro “mico” que Érico pagou durante as aulas no colégio.

Capítulo especial – Um pedido recusável

A professora Marta Angel, apelidada pelos alunos de “Rabo-de-cavalo” adentrou a sala naquela primeira aula de segunda-feira. Parecia estar numa forte ressaca, talvez por uma noite regada a bebidas para compensar uma vida sem valor ou talvez uma noite de brigas com o marido. Independente do motivo era evidente seu mau-humor, parecia detestar seu trabalho de docente naquela escola. Os alunos sempre a ouviam falar mal do diretor da escola ao celular enquanto simultaneamente fumava pelos corredores do colégio.

Com os olhos inchados, uma apostila, cadernos e sua caderneta apoiadas no colo adentrou a sala empurrando um dos alunos, que derrubou acidentalmente pó de giz em seu jaleco amarelado.Continue reading →

O Ladrão de Canetas – Parte V

Nos episódios anteriores, a incerteza rodeou a mente de Érico, agora preso e sem muitas perspectivas de vida, porém, algo parece mudar, sua relação bizarra com Chatália beirava à bizarrice e sua vida na FEBEM se tornou monótona até encontrar um grupo de jovens dispostos a fugir, com ele, daquele lugar.

Capítulo 9 – A rotina atrás das grades

Érico sabia que com o Bolsa Cultura não poderia comprar grandes coisas, o dinheiro mal dava para comprar uma revista erótica. Pediu a sua mãe que lhe comprasse um livro sobre química, como não tinha muita idéia pediu apenas isso, um “livro sobre química”, listou outros temas para sua mãe comprar, mas, sabia que não seria possível obtê-lo.

Érico anseava mudar de vida, apesar de estar no pior momento, não queria deixar que aquela marca fosse definir o rumo de sua vida para algo negativo, precisava a qualquer custo criar uma rotina ali dentro que lhe proporcionasse algum aprendizado que lhe fosse útil para sair.Continue reading →

Iasmin e Julia – Funeral Coletivo (Parte V, final)

Os ruídos eram altíssimos, sentir os caixões chacoalhando e respirar devagar para não perder completamente o ar ali dentro as estava sufocando. Julia mal agüentava, estava com a barriga aberta pelo golpe do agressor e sua dor era insuportável. Sangue pingava da popa de suas gorduras localizadas.

Escutavam gritos aterrorizantes de Amarildo que parecia estar sendo devorado pelos seres bizarros.

Em menos de vinte minutos um terrível silêncio pairou sobre o lugar e Iasmin abriu a tampa do caixão e gritou por Julia que já estava ao chão com um pano, uma roupa de zumbi tapando o corte na barriga.Continue reading →

O Ladrão de Canetas – Parte IV

Após ser humilhado por seu professor feminista e ter uma conversa com o diretor, Érico se viu numa situação difícil, acabou sendo pego com a boca na butija roubando uma caneta valiosa e foi parar na penitenciária abandonando seus anseios no colégio, suas aulas de violino, sua vida esportiva e seu amor platônico.

Érico, na penitenciária começa a receber constantemente visitas de Chatália e um novo patamar o aguarda. Precisa agora, depois da transferência para a FEBEM, se enturmar ou arrumar alguma forma de fugir de um dos piores presídios para jovens já feito na face da terra.

Boa leitura.

Capítulo 7 – Um ato heróico

Havia uma semana que Érico estava preso, nada evoluiu, sem notícias. Sentia-se abandonado pelo mundo, se não fosse pelas visitas de Chatália. Aquela era tênue quinta-feira ensolarada, quando foi notificado da visita da misteriosa garota.

O velho Noel havia sido transferido para o Carandiru e apenas seu companheiro traficante dorminhoco lhe servia de companhia entre uma hora e outra. Mal se falavam.

O saguão de visitas era enorme, e nele podiam ser vistos uma família visitando o pai ladrão, uma garota magra, de cabelos encaracolados visitando o irmão traficante viciado, um ex-policial viciado e assassino sendo visitado por sua mãe e lá estava ela, sentada na mesa, sem demonstrar nenhuma emoção: Chatália.Continue reading →

O Ladrão de Canetas – Parte III

Após estar em cheque com suas aulas de violino e ser praticamente massacrado por todos os alunos do colégio em função do gol contra que fez e desclassificar o time do campeonato Érico volta as aulas nesta parte da história.

Nestes dois próximos capítulos abordaremos um problema que Érico carrega desde criança, ele é cleptomaníaco e isso já lhe rendeu uma expulsão. Afana canetas e outros objetos e nesta parte a história começa a se complicar para Érico que pode, inclusive parar na cadeia. Chatália o ajudará? Qual a intenção deste estranha garota ao se aproximar de um fracassado como Érico?

Boa leitura.

(Próxima parte será postada dia 25 de janeiro, sexta-feira, às 20:00h.)

Capítulo 5 – Um crime descoberto

Dois dias após o incidente Érico foi recebido de volta na escola durante o intervalo. Na abertura dos portões, foi recebido em silêncio no pátio, a escola toda parou, em silêncio observavam a entrada do garoto, todo inchado, cheio de hematomas e curativos espalhados por todo o corpo sendo acompanhado por dois seguranças do colégio até o diretor.

Rumou até a direção da escola, onde teria um encontro com “Seu João”, o diretor, que não se encontrava no momento. A reunião acabou sendo com a vice-diretora, Rose Frescunélia.

Os dois trocaram uma rápida conversa, enquanto Érico permanecia em pé, a vice-diretora Rose não dava muita atenção, por não gostar da postura do garoto. Lhe deu algumas instruções para evitar confusão, culpou-o pelos incidentes e rapidamente o liberou. Érico aproveitou um delize da professora e afanou-lhe duas coisas, uma bela caneta e uma rosa que estava num pote perto da estante. Érico foi dispensado.

— Está dispensando, Érico, volte para sua turma.Continue reading →

O Ladrão de Canetas – Parte II

Érico é um garoto problemático, mas, como boa parte das pessoas a qual está reservado algo de interessante, uma certa polêmica é necessária, com o “Merdinha” não é diferente.

Nestes dois capítulos desta segunda parte abordaremos as tentativas de Érico de se tornar um grande violinista e sua relação com seu professor Rubens Gil que está prestes a abandonar o ensinamento deste instrumento ao garoto e uma partida de futebol de salão onde Érico pode se tornar o herói ou o vilão, pode ir à glória ou ao hospital, além do início de um peculiar relacionamento com uma garota muito estranha e de intenções ocultas chamada Chatália.

Boa leitura.

(A próxima parte será publicada dia 23 de janeiro, quarta-feira, às 20:00h.)

Capítulo 3 – Um professor desistente

Naquele dia, sua aula de violino estava marcada para as treze horas. As aulas eram feitas no pátio inferior, as aulas de música eram opcionais na grade escolar, mas, a necessidade de haver professor disponível era obrigatória, através de uma nova lei estadual.

Érico chegou à sala, abraçado de seu estojo, sentou-se, seu professor nada disse. Afinou seu instrumento em silêncio, amargurado e fora recepcionado por seu professor de forma direta e concisa:

— Lamento Érico, não dá mais. Eu tentei de tudo, não posso ficar aqui lecionando apenas para você. — Enfatizou o elegante, garbo, porém estranho professor.

— O quê? Como assim?Continue reading →

O Ladrão de Canetas – Parte I

Capítulo 1 – Prólogo

Érico Caguette de Oliveira corria com todas as suas forças. Estava sendo perseguido por um grupo de jovens de sua escola. Seu fôlego acabara. Caíra ao chão com um pato manco. Acabou espancado, com chutes nos testículos e na cabeça num beco a duas quadras de sua casa.

— Nunca mais olhe pra minha vadia, Retardado! — Retardado era o apelido de Érico, um garoto excêntrico, aluno do primeiro ano do ensino médio, um moleque com aparência esquizofrênica, óculos fundo de garrafa, alto e muito magro, um típico fracassado da escola.

Érico era o único aluno do professor mais estranho do colégio, Rubens Gil, que lecionava violino. A dedicação de Érico era questionável, e mesmo tendo toda a atenção da aula voltada para si, ele era um tremendo fracasso como violinista, tendo uma vez causando grande constrangimento durante uma das apresentações num evento escolar. Fato que lhe causou um enorme trauma quando lhe atiraram fezes dos animais da escola no rosto.

Érico também tinha o apelido de “Merdinha”, o mais freqüentemente usado por seus colegas de sala, também por sua cor meio marrom e pelo seu rosto meio estranho.Continue reading →

Iasmin e Julia – O inimigo mora ao lado (IV)

Não podia estar acontecendo. Não podia. Julia acordou apavorada, tentando gritar, absolutamente desesperada. Mal conseguia, estava com uma mordaça na boca.

Julia e Iasmin estavam amarradas a uma cadeira, Iasmin sem fôlego ou forças, desmaiada, apenas ilustrava uma desesperada cena. Não se podia fazer nada.

Estavam numa sala, num ambiente diferente, algo como um estúdio de fotografias onde a luz era fortemente vermelha. Havia um líquido espalhado ao chão, por causa luz vermelha não se podia ter certeza se era sangue ou qualquer coisa.

“Com cheguei até aqui?”, pensava Julia, inúmeras indagações infestavam sua mente. “Como saí da escola?”, “Quem nos amarrou aqui?”, “Será que Iasmin está morta?”, inúmeras perguntas sem respostas aterrorizavam ainda mais sua mente enquanto esperava pelo derradeiro golpe que resultaria em sua morte. Os pecados haviam de ser pagos.Continue reading →

Mais um eBook para nossa coleção

Foi adicionado mais um título em eBook para nossa coleção, a obra publicada na Casa de Lápis, Além do Fim, de Raphael Zinsly figura entre os mais nobres títulos.

Todas as obras, atualmente são lançadas em PDF, porém, posteriormente lançaremos os mesmos eBooks e os próximos em ePub, para você possa ler no conforto do seu tablet ou celular.

Aguarde e não deixe de nos dar sugestões.

Abraços, até breve.

Como criar bons artigos

Escrever na Casa de Lápis é bacana, um ótimo lugar para expor seu trabalho, qualquer um pode vir aqui e postar um texto, só basta uns pequenos trâmites como cadastro, por exemplo. Se quiser, entre em contato comigo via contato ali em cima ou pelo grupo ou página da Casa de Lápis no Facebook.

Bom, mas, não é só isso, para seu artigo chamar a atenção ele precisa de alguns pequenos fatores para deixarem-no melhor esteticamente. Vamos a eles. Continue reading →

Iasmin e Julia e o infortúnio tempestuoso (III)

Aquele não era um dia normal para Julia. Acordara no meio da madrugada, em plena forte chuva com um pressentimento maligno em seu peito. Havia sonhado que sua amiga estaria morta, extirpada numa banheira com o coração dentro do vaso sanitário.

O sonho era tão real, podia jurar ter sentido o cheiro de sangue. Julia começou a chorar fortemente. Seus pés trêmulos tocavam o chão com sua meia de elefantinhos. O medo de que algo lhe pegasse o pé era imenso. Caiu de joelhos ao chão e rumou junto à janela, abriu-a lentamente, sentia, a chuva era intensa.

Julia precisava ter certeza que sua amiga estaria bem — fora criada com ela, desde a infância, chegando a morar junto de Iasmin durante dois anos, em meio a um período conturbado de uma separação dos pais, que se reconciliaram em seguida — portanto, abriu a janela e desceu, com uma cópia da chave em mãos abriu o portão e rumou para a rua de cima num temporal que mais parecia um dilúvio sem Noé.

Após passar a esquina de sua rua, uma árvore despencou acertando o carro de um vizinho e bloqueando a passagem da estreita rua, o pânico era surreal, o barulho também.Continue reading →

National Novel Writing Month

Está aí uma boa oportunidade para escrevermos e nos desafiarmos: http://www.nanowrimo.org/

O National Novel Writing Month (NaNoWriMo) é uma iniciativa que já ocorre a alguns anos que desafia os participantes a escrever um romance de no mínimo 50 mil palavras em um mês. É isso mesmo, parece loucura mas muita gente já conseguiu ao longo dos anos. O único objetivo é escrever um romance original, nada de usar uma história já em andamento ou copiar uma já existente. É um desafio muito interessante, mesmo que você não ganhe pelo menos você tentou e ainda terá parte de uma história para desenvolver no futuro. O romance pode ser escrito em qualquer língua e seguir qualquer tema, se todos que conseguirem completá-lo serão vencedores, independente da qualidade da história. Participem, usem o editor de textos de sua preferência e mãos a obra.

A competição começou hoje (01 de novembro) e vai até dia 30/11.

Site: http://www.nanowrimo.org/

Cinco meias-verdades sobre as “Periguetes”

Em primeiro lugar, a quem isso interessa? A todos , eu diria. Você, mulher, vai querer ler esse artigo porque deve achar que eu sou feminista e defensora da moral e dos bons costumes e vou gastar todo meu latim difamando as adeptas dessa “opção sexual”. Já você homem vai ler pensando “olha a invejosa…” . Acredite, você ,seja lá quem for, vai se surpreender e, quem sabe, mudar seu ponto de vista para um lugar mais legal.

PERIGUETES SE TORNARAM ICONES DA MODA DO SECULO XXI : Elas não deixam as calças hiper coladas sair de moda, “vendem” roupas de grife (ou não) , perfumes, maquiagem,lingeries, bijuterias, saltos, musicas, cerveja, filmes…enfim, queiramos ou não, temos que admitir que elas são outdoors andantes. E essa influencia delas vai desde a classe D até a classe A. A imagem da periguete se tornou uma ferramenta do marketing.

PERIGUETES (TAMBÉM) SÃO OBRA DOS HOMENS: Invariavelmente,periguetes tem essa ideia de “temos direito de nos divertir igual homens” , alias, se me permite acrescentar, elas são exatamente oque os homens idealizam como sexualmente ideal, de acordo com oque podemos constatar nos filmes direcionados ao publico masculino. Esse publico é condicionado desde criança, quando pegava escondido as revistas do pai, a ter como figura sexual ideal, aquela mulher bonita, pouco vestida, simpática,libertina e disponível.

PERIGUETES FICAM COM OS “BONS PARTIDOS” : Pode doer ouvir uma afirmação pretensiosa dessa, mas trata-se de uma constatação. Homens gostam de chamar atenção ,também, pelas companheiras. Se essas forem atraentes e despertarem inveja dos outros homens, melhor ainda. Entretanto, os bem sucedidos, por vezes(atenção: não estou generalizando) são muito tímidos para tomarem iniciativa com uma mulher “não-periguete” ou são muito aficionados em trabalho para se envolver num relacionamento serio ,preferindo a facilidade e a variedade que a periguete oferece.

PERIGUETES SÃO MAIS ADEPTAS A HÁBITOS SAUDÁVEIS: Para manter a aparência de coerente com as exigências da alcunha, essas mulheres se sujeitam a muitas horas de academia, tratamentos esteticos e dietas. Dificilmente, vemos periguetes obesas. Ademais, dificilmente tem problemas de auto-estima.

PERIGUETES SÃO MAIS SIMPÁTICAS: Sorrir para qualquer homem que passe por elas, agradecer os elogios e comentarios que fazem sobre elas e a facilidade que oferecem para iniciar um dialogo as tornam atraentes aos homens. Embora tem quem diga que “oque vem facil , vai facil”, precisamos também lembrar que nossa cultura incentiva tudo que é rapido: informação, desenvolvimento e relacionamentos. A simpatia se torna um “potencializador de resultados”.

Odiadas ou aceitas, essas sujeitas formam uma comunidade com muitas adeptas e simpatizantes do nosso seculo.Ficaria difícil erradicar sua manifestação, visto que são uma consequência dos costumes e valores adquiridos nas ultimas décadas. Desafiando a moral e os bons costumes ocidentais e orientais, elas seguem conquistando um espaço cada vez maior e mais influente nos meios de comunicação, no mercado de bens consumíveis e até mesmo, na orientação cultural das classes sociais,desde a elite até a periferia.

 

 

 

 

O texto perfeito

Faz tempo que estou na busca daquela “cereja” que anda faltando em cima dos meus textos. Parece que todas as coisas já foram escritas, parece que oque resta é  inventar. Mas a tal””realidade”” ( e foi intencional colocar aspas duas vezes) anda me segurando com unhas e dentes. Nem nas mentiras eu ando inventando mais, alias, conforme agente cresce, parece que usa sempre as mesmas mentiras,só que aperfeiçoadas.
Voltando ao texto perfeito, ele está , provavelmente, vindo a pé da Africa. Tomara que no caminho ele tenha tirado muitas fotos, pois o Rubiano (aquele sujeito que é responsável pela “Casa de Lápis”, vulgo “este blog”) sempre fala que faltam fotos nos meus textos. Eu já acho que a verdade é que tem letras demais. A cada ano que passa eles estão mais curtos, grandeza esta diretamente proporcional a minha falta de paciência.

(Quero dizer que estou começando a achar esse assunto muito chato, acho que você deve querer ler algo mais interessante…vamos falar de outra coisa então…)

Vamos falar de relacionamentos, assunto que todo mundo gosta de ler. Mas vamos falar dos meus, que sempre são engraçados de tão ruins. Ah, mas tem outra coisa mais legal para falar: do relacionamento de uma mulher que falava ao celular no trem, enquanto eu voltava para casa, num domingo. (ah, bem mais interessante!) Então a historia da mulher que vai ser o assunto agora! Todo mundo adora saber da vida dos outros.
A jovem que ja beirava seus 40 anos,falava ao telefone com um sujeito, que pelo que entendi, era ex namorado dela. Estava toda trajada á moda “sou jovem,uso as roupas das minhas filhas de 15 anos”. Mas isso nem importa tanto, oque importa é que Jesus Cristo estava atrasando o lado do sujeito. Isso porque, segundo a moça, eles precisavam parar de se encontrar. Embora ela estivesse indo visita-lo para debater a palavra de Deus, poderiam correr o risco de cair em tentação DE NOVO. Eis que o sujeito, tentando deixar nosso Papai do Céu fora dessa, justificava que não tinha nada a ver, que ele ia só ouvir a palavra (eu realmente estava interessada na conversa, a ponto de ficar bem perto p ouvir ele falando, quase que sentei no colo da moça para poder ouvir melhor). Mas não tinha negociação com a sujeita, que do nada dizia que não ia levar o namorado dela para dentro da igreja, porque ele ainda não tinha aceitado Jesus. Então espere: a sujeita estava dando a palavra para um e queria dar a palavra para o ex namorado também? A sujeita queria mais era sair evangelizando geral. Eis que entra em pauta a namorada no sujeito. Agora temos: a tia evangelizadora e o namorado “pecaminoso” dela, o sujeito do telefone e a namorada dele. Deixem Jesus fora dessa, por favor.
Enquanto ouvia a conversa da jovem ao telefone, comecei a perceber que um sujeito estranho me olhava todo galã. Tinha lá seus quase dois metros de altura, já apresentava graves sinais de calvice na parte de cima da cabeça e um longo cabelo que surgia das laterais. Me lembrou um Bozo de escova progressiva. O “Bozo” era gótico  Estava me assustando com a coleira de espetos que usava no pescoço, com a jaqueta de couro com forro de estampa de onça, bem justinha e aberta até o meio do peito. Completava a calça preta com abertura nas laterais por ilhós e cordão (igual do seu tênis só que na lateral toda da calça). E um cavanhaque que passava fácil do queixo. Parecia uma coisa louca. Eu sempre atraio gente estranha para perto de mim. Me assustei mais ainda quando ele veio sentar do meu lado. Ficava me olhando como se eu fosse aquele bolinho de carne do quiosque de lanches do terminal de ônibus em Itaquera. E eu lá, pedindo a ajuda de Deus naquele momento, mas ele não me ouviu, porque estava tentando sair da briga extra-conjugal que a tia do telefone tinha colocado ele no meio.
Logo menos chegamos á estação terminal, graças ao maquinista. Deus ainda estava lá tentando cair fora da novela das oito que a tia estava fazendo ao telefone. Foi tentador tomar o telefone da mão dela e jogar pela janela. Alias, se eu fosse uns 90cm maior , uns 40kg mais forte e tivesse 70% mais de testosterona no sangue, ia ser oque chamam de fanfarão e o celular da tia ja teria ido pro outro mundo. Ia até usar aqueles chapeuzinhos coloridos com hélice de helicóptero em cima.  Se fosse, quebraria celulares de funkeiros todos os dias. Imagina só, que maravilha! Não ia conseguir me limpar sozinha, mas ia tocar o terror na zona leste .
Tá ai! Meu texto perfeito seria o grandalhão com chapéu de hélice. Engraçado, forte, grande, que chamasse bastante atenção e impusesse respeito. O grandalhão poderia ser formado em alguma graduação acadêmica, para ter conteúdo também. Ai ele poderia usar,então, óculos tipo “fundo de garrafa”, para ilustrar o quanto ele era inteligente – e cego também, eu imagino.
Em fato, é isso que vem faltando nos textos …os meus , pelo menos: mais criatividade, mais descontração.